O Telegram está levando a privacidade a sério demais?

O New York Times publicou uma matéria questionando se o Telegram não estaria levando a privacidade longe demais. No artigo, o jornal questiona as dificuldades da justiça em conseguir o contato com o aplicativo e, principalmente, onde exatamente estão os servidores do Telegram pelo mundo.

Conforme a política de privacidade do Telegram afirma: “Todos os dados são armazenados fortemente criptografados. As chaves criptográficas de cada um ficam salvas em diferentes datacenters em diferentes jurisdições ao redor do mundo. Dessa forma, engenheiros locais ou invasores não podem obter acesso aos seus dados.” Na prática, isso significa que os seus dados ficam espalhados entre servidores do mundo todo, mas a chave para ‘leitura’ desses dados sempre estão separadas. Dito isso, para um país conseguir todos os seus dados seriam necessárias contribuições entre diversos governos para conseguirem o total acesso aos dados.

No artigo, o New York Times aponta uma possível criação de um estado maior, onde todos os governos respondessem para essa organização de forma única, tornando assim possíveis manobras para conseguir obrigar aplicativos como o Telegram a entregar os dados de seus usuários. Ainda segundo o jornal, Durov ressalta que o Telegram nunca recebeu nenhum contato do governo francês e também ressaltou que os Chats Secretos não ficam salvos nos servidores do aplicativo. (Os Chats Secretos são legíveis apenas para você e o seu parceiro, utilizando a chamada ‘criptografia ponta-a-ponta’, o aplicativo fica impossibilitado de ler o conteúdo das mensagens, fazendo apenas sua transição de um dispositivo ao outro.)

Em seu twitter, Pavel Durov respondeu ao artigo de forma categórica: “Não. O respeito pela privacidade e direitos humanos é o que faz a Europa ser diferente dos grupos radicais que ela se opõe.”

A matéria também lembra que já foi sugerido que os aplicativos implementassem um backdoor, onde o governo poderia ter o acesso livre às mensagens de todos. Além de uma má ideia (isso poderia potencializar terroristas e criminosos de conseguirem acesso aos nossos dados, visto que o backdoor é uma brecha de segurança implementada propositalmente, podendo deixar ainda mais em risco nossa segurança), isso também fere nossos direitos de privacidade.

O fato é que ninguém pode impedir que terroristas criem seus próprios aplicativos de mensagens, fortemente criptografados e fora do alcance dos governos. É uma batalha delicada, mas que em momento algum deve prejudicar nossos direitos e nossa privacidade.

 


E você, o que acha disso tudo? Você prefere privacidade acima de tudo, ou acha que os aplicativos devem contribuir com o governo em casos extremos?

  • Heleno Andrade

    Acho que os aplicativos devem sim cooperar com as autoridades. Caso contrário, sabendo que terroristas, traficantes e outros estão utilizando os aplicativos para planejar suas ações, as empresas proprietárias destas ferramentas estão, ao meu ver, colaborando de certa forma com a bandidagem.
    Mas não acho que deva existir um backdoor ou algo similar. Acho que a disponibilização dos dados deve partir da empresa responsável pelo aplicativo.

    • Entendo seu ponto, mas não concordo. Como dito na matéria, sempre existirão outras maneiras, como o próprio Estado Islâmico criar um aplicativo próprio para não serem espionados, com criptografia ponta-a-ponta e conexão P2P, onde não existiriam servidores para serem “derrubados”. Tirar nosso direito de privacidade não vai ajudar nisso.

  • André Sampaio

    O problema nunca está nos meios de comunicação. Pois sempre haverão novas formas de conseguir fazer o que querem. O Telegram existe há pouco tempo, e antes? Eles não usavam outros meios?!?!
    Se abrirem a caixa preta do Telegram, eles vão migrar pra outro, não tenha dúvidas disso. E assim permanecerá, nesse jogo de gato caçar rato. Quem vai perder, será apenas nós, simples usuários.